QUE É FEITO DE MIM?
O meu canto lembra sempre Outono Mas vou cultivando Primaveras E sem descuido ou abandono Faço delas minhas quimeras Dos meus sonhos faço um jardim Dos meus ais uma queda de àgua Brota, límpida com cheiro a jasmim Levando com ela minha mágoa.
Deixo-me consumir pela Vida Trago a alma deserta de esperança Na testa mais uma ruga perdida Nada resta da menina da trança.
Abro minha vela ao vento norte Nesta azulada tarde Largo meus olhos pelo oceano à sorte Devassada pelo vento minha saudade. Há em mim um sudoeste impetuoso Onde minha imaginação se aviva E onde sonhar acordada eu posso Sem da Vida me sentir cativa.
Desce o Sol sobre a crista do monte Tudo recolhe na natureza Estende-se o silêncio pelo horizonte E em mim cai dia a dia a incerteza. rosafogo

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