
Audácio & Arrogância
Data 30/06/2010 05:19:04 | Tópico: Contos
| Estava cansado, pensou em acender um cigarro, era só pedir, como de costume, e receberia o que desejava. Quer um cigarro, cara? Não obrigado, parei. Tu sabe que isso não combina contigo, o cigarro tem um charme sepulcral que combina com teu estilo. Eu sei que ele fala a verdade, tão ridiculo que parecesse, ele não mente sobre o que pensa. Não, obrigado. Mas então? Então o que Carla? Por que vocês escrevem tanta coisa ruim, o mundo está cansado disso, o mundo precisa de histórias boas, para poder respirar dessa sufocante realidade. Ela tenta falar como eu, eu estou cansado disso, estou cansado dela. Então você faz parte do mundo, não é? Sim, isso mesmo Antônio, assim como... Então você está dizendo que você está cansada, não é mesmo. Isso mesmo. Que voz irritante, caralho, tenho realmente que suportar essa voz irritante? Então por que você não se mata? Assim não precisa suportar isso. Ai! Que horror. Tu pegaste pesado dessa vez. Pesado é ter que suportar tanta besteira sendo dita por uma só pessoa. Tadinha, tu tá de TPM é Antônio? Sim estou, tensão pós merda, TPM, é uma tensão que você tem depois de escutar uma merda dessas. Um do homens na mesa dá um sorriso e o outro bate palmas e ri abertamente. Isso ae, cara! Deles apenas dois são como eu, maturados, nem melhores nem piores que os outros, apenas maturados. Os outros são apenas projetos de futuros defecantes, pura hiprocrísia enlatada. Por que tu sempre me corta? Porque acho tuas ideias um lixo. Ai, que horror, eu sei que no fundo, tu gosta de mim. Claro, o dia que a gente for pro motel, no fundo, bem no fundinho, eu vou gostar de você. Ai, tu não presta mesmo. Ele gruni. Um vazio toma conta dele. Desculpa, acho que peguei pesado mesmo. Ele fala sem traços de emoção na voz. Tá bom. Ela abraça ele. O que ela tem de bonita, tem de superficial, apenas um corpo, com uma mente pseudo-intelectual. Quanta audácia pensar que é como eu, o que me incomoda não é alguém querendo discordar de mim, mas que pelo menos honre o cérebro que carrega.
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