
(des)Culpa
Data 03/08/2007 14:25:57 | Tópico: Textos -> Crítica
| Olhando o céu pensei: – Parece papel de parede, tá tudo tão parado! O brilho intenso e parado das estrelas, a luz estagnada da lua parada; nem um som eu ouço, mas, lembro da música de Raul Seixas: “O dia em que a Terra parou”. Será que parou? – penso eu. Ou será que cheguei a tal nível de meditação, de elevação espiritual, de ascendência? É querer demais... Vou deitar. Mesmo na cama imagino o dia que, como que em greve, o mundo parou. Ninguém saiu de casa pra nada. Puro acaso, como se um mal súbito acometesse a todos. O motivo? Nossa existência! Nas ruas desertas ouvimos os brados mudos e lamentosos. Sons que já estavam em tudo e chegavam a todos, mas ninguém ouvia. Era a mãe Natureza pedindo piedade. Clemência!? – suplicava ela em tom agonizante. Faz tempo que ela nos avisa e não ligamos. Hoje, tudo parou graças a ela... E eu, em meio a tudo isso? Que sempre soube, sempre ouvi. Não só ouvi quanto não deixei de falar. Pago a mesma quantia daqueles que se fizeram de rogado? Não vou agüentar, vou explodir, em plágio de novo: “Pare o mundo que eu quero descer!” Mas, já está parado, de luto! E por nós mesmos, que nos vamos daqui a pouco.
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