
Viagem
Data 26/06/2010 09:08:24 | Tópico: Poemas
| Guardo a alma e o corpo num gesto qualquer, solto um assombro sem nome num corpo mulher, e amo o choro sem voz de um tempo que fede e adora o sofrer da alma em forma de ninguém. Alguém estende a mão em busca de alguém assim, sobre as ganâncias de amor e sol que um dia são ímpares e minhas outro dia são de alguém, haja no coração a vontade que houver e na sombra o medo que seja... Sinto o chão a desfalecer entre outros ocidentes, paixões e na volúpia dos sentidos bebo um trago de crinas loucas e sós pela viagem que mereço ser, seja o futuro aquilo que quiser.
Trato-me com lamentos ausentes embalados pelo ardor do voo quente. Quero-me nos rins do sono como Ícaro de uma fome ardente enrolado na língua como a solidão de um fim de dia, prisioneiro ou o amanhecer de um novo sentimento calvo de inglórias vivas e selvagens que ora morrem, ora riem com a verdade do meu momento.
A carne gargalha a fantasia que não tem, as cores murcham e a vida vai deixando os olhos com agonias de penar e dor, a qualquer hora e em qualquer dia. Calo-me no calor de um poema breve que só não fala o lume algemado desta mentira surda que atiça a força e o amor à luta sem par nem lugar...
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