Soneto plagiando Bocage

Data 20/06/2010 21:15:10 | Tópico: Poemas

Sem cerúleo capote, vai andando
Por esta Santa Clara, onde o Mondego,
Outro canto, lhe traz o que cantando
Bebe e come em poema sem sossego.

Porque se ao peito arranca cada verso,
E nestes pinta a manta ao pensamento,
É por saber porque cabe o universo
Em cada verso roubado ao sentimento.

E às moças pede um mote como um beijo,
Nada mais o poeta quer, que só
As palavras lhe dizem do desejo
De ser quem criara em cinza e pó.

Eis o homem e o autor no mesmo barco
Ou não fosse o soneto de um tal Zarco.


Xavier Zarco


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