
A NOITE DOS CRISTAIS PARTIDOS
Data 18/06/2010 15:32:08 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
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Estradas paralelas percorrem meu corpo como duas linhas iguais mas equidistantes.
Sou tudo o que há e o que não há paralelepípedos no raso de meus olhos.
Paredes com pregos seguram quadros com retratos mortos em cinzas maleáveis.
E eu percorro o corredor com estátuas eminentes que sobem a escadaria em direcção ao quarto.
Máscaras lá dentro recolho uma ao acaso e me maquio em um novo sangue.
Saio à rua onde tudo é disforme e grotesco um homem se recusa andar completamente alienado.
E as crianças na sua macia infância brincam com o desgraçado atirando-lhe pedras.
Cães uivam à lua quando tudo parece rasgado pelo silêncio é a noite dos cristais. A fogueira vai queimando os livros que os nazis negaram a luz do dia e a cultura vai nua.
Meus olhos sangram é preciso a ferida para saber como foi e como será doravante.
Jorge Humberto 17/06/10
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