
Leituras 7 – Vóny Ferreira
Data 06/06/2010 20:27:01 | Tópico: Textos
| Se em termos gerais se reconhece a existência de uma literatura ligth, não será de estranhar que essa definição chegue também à poesia com os seus modelos bem definidos, isto é: se eu disser sempre o mesmo, em linguagem comum, e seguindo a mesma metolologia, estou a compor poesia de cariz definível como light.
Certamente que tal mister, acompanhado pela profusão produtiva e adequado acompanhamento ao nível da exposição, me levará ao top, quer seja no hipermercado, na livraria de referência ou num sítio como este, o Luso-Poemas.
Tal ocorre com a Vóny Ferreira. Esta poetisa traz o drama para o centro do seu poema. Dilacera a lágrima ao extremo, cria espaços onde expõe amizade, amor, solidariedade... isto é: valores consensuais; recria constantemente o mesmo universo imagético, isto porque sabe ter assim leitura, mantendo-se portanto lá em cima, na prateleira onde o olhar pousa.
Se eu tenho algo contra esse género de métodos e formas de estar em literatura?, nada. Mas nada acrescentam ao nível da leitura porque não têm ideia capaz de iniciar debate profícuo, antes nos consolam temporalmente, criando, isso sim, e daí a relevância deste género, a necessidade, não só do autor criar constantemente, mas do próprio leitor sentir-se acompanhado nas agruras do dia-a-dia.
Em suma: Vóny Ferreira usa constante e habilmente esses artifícios, não para criar arte, tal como eu a entendo: algo intemporal; mas para a efemeridade do meio onde se movimenta. Estatisticamente, dos que li, diria um em dez acrescenta valor.
Xavier Zarco
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