
Névoas do coração
Data 27/05/2010 09:26:58 | Tópico: Poemas
| Um mar, um mar, um mar, reza por mim oceano, dá-me velado às encostas más, maresia agreste, levante no vento norte, que jaz em mim, choroso na palha que arde lenta. Mói-me na ceifa, no moinho da dor malvada. Brilha no fulgor ardente da manhã negra. Agora que no horizonte o crepúsculo me beija, e na cinzenta madrugada me oculto. Sou cego na visão quente da nuvem parda que teima em passar, a minha visão fica nublada, ensurdeço-me com o grito abafado da chuva. Vem, leva-me para longe, o mar vermelho já foi engolido pela esfera do sol. Sou um sentimento cru, nascido de incensos violados, uma pedra inerte, sôfrega pelas mãos calejadas e cansadas. Abre-me o céu-da-boca com a tua luta, faz-me insano pelo gesto de te querer demais. Um amor, uma maresia, são duas alegrias que já não tenho. Perdi-me nas névoas do coração, ele, apenas ele, me conhece tão bem.
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