
Com que ironia eu seria mais importante que o Zé, o João e a Maria
Data 25/05/2010 12:45:37 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| A imagem, a fama, o ridículo... com a mesma ironia com que a vida laureia autores inúteis ou pior : ironia com que a sociedade iludida homenageia um prefeito, um reitor ou qualquer autoridade que o podre útero da democracia nutre ! com essa mesma ironia de enaltecer o fraco o franco aproveitador ilustre eu às vezes laureio meus cabelos antes que a verdade ou a transparência a perda deles custe; eu às vezes sou autoagraciado com um prêmio ou troféu “Paraíso”, “Terra Prometida” ou “Céu” que só pode dar-me a demência e daí sou mais uma estrela não dessas estrelas que a televisão promove mas a que à multidão comove porque sou um profeta necessário porque digo a verdade de maneira crua arranco a roupa da Verdade que pelada posa nua na revista do Sucesso com o cu virado para a lua e nessas páginas de mídia que ironicamente enaltecem o fraco vejo outras cabeças, vejo a sua e a minha e nelas : um buraco porque somos antes de tudo vazios porque a fama ninguém a merece mais que o trabalhador que sofre assaz e nunca reclama : a mãe que se sacrifica pelos filhos dando-lhes o pão, o arroz, o segredo de vencer e a cama...
A homenagem, a importância, os holofotes, os destaques, os brilhos, tantos a merecem que do lado de cá das câmeras haveria poucos fotógrafos e leitores para tanta gente, o povo, os senhores
e eu arrisco dizer que eu não tenho importância nenhuma nem por ser profeta, nem por ser verdadeiro, nem por dizer à Verdade que suma do país das aparências televisivas para sempre, pois que lá ela tenta instituir o valor que não têm esses metidos da alta sociedade infértil essa gente nojenta que não trabalha – nem estão vivos pois todos morrerão : um projétil encontra alguém no primeiro sinal – se alguém dispara a arma é porque essa sociedade do Sucesso esqueceu-se de distribuir o “sucesso” aos que só têm fome, escabiose, fedor e sarna !
Úmero Card'Osso
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