
LEVA-ME PARA CASA
Data 19/05/2010 21:34:06 | Tópico: Poemas
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LEVA-ME PARA CASA Afluem-me nos dedos sobre rugas As sustidas papoilas da minha infância Saudades verdejantes de paisagens mudas Dum tempo imaculado de criança. Nos olhos tinha o sorriso bem vincado Que fui deixando nas paragens apeado.
Enjaulado, trago em mim um manto vasto Que rompia abarcando a madrugada Levando pela fresca o gado ao pasto Partilhando com eles a orvalhada. Entre um ninho e uma cabra que berra, Fui nascendo eu, naquela serra.
Quantos sonhos lavrei naquele montado Tomando banho na cascata da pequenez? Quantas bocas desejei, que em pecado Me extorquissem de inocente, a trepidez? Quantos gritos mudos malhados na eira Correm perdidos no vale verde da ribeira?
Porque não sou apenas semente de trigo, Nascendo entrelaçada na carqueja? Esperando em braços a foice do castigo Levando a dor febril que em mim sobeja! Trago na boca os sabores que me consomem Daquele lugar onde cresci, me tornei homem.
Não contenho mais em mim a atrocidade Desta maré sagaz que me desterra Vive em mim um querer, porque é verdade A vontade de voltar à minha terra! Mesmo trôpego e de asa calcinada, Não me abandones vento, E leva-me para casa.
Regensburg 19-06-2010 Beija-flor
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