desde segunda que não gasto dinheiro

Data 12/05/2010 12:27:14 | Tópico: Poemas

o que vão agora ler não se relaciona com o título. -> duvidem.

A chegada do papa, papá para muitos, papa indigesta para uns quantos, ou Papa sua excelência para a gentalha.
A vinda do papá trouxe emprego, o filho tem que lidar com a chuva, com os transportes públicos, com os primeiros socorros (tem havido muitos acidentes cometidos pelos papás!), com a transacção de ondas de energia (cumpre ao indivíduo chorar em penitência pelo seu crime, que o papá castiga!), tem que escrever papá nas t-shirts).
Esta papa sabe a pouco, porque não sabe bem? Tu sabes? Eu não, nem sei se de facto tenho paladar, não sei se a língua não só serve para servir o paladar ou se para se mostrar, mas aí a papa sai fora. E se ela sai fora eu morrerei de fome pois só vendem papa, papa, papas, papa, papas! As alternativas que o papá dá são poucas, o papá é um insensível disse-lhe um dia, mas ele fez olhos grandes e percebeu nada do que o filho lhe disse - és pequeno disse-me e eu fechei os punhos e birra fiz! porque sou criança e sei nada! porque sou criança curiosa! mas o papá já é velho e quer não morrer, necessita sugar a minha inocência e jovialidade a todo o custo. Basta! Hoje não como.
A sua excelência é um nome, penso ter dito tudo.

Os nomes que morrem nos lábios
empalidecem o presente vindouro
que chega sem título, preso à loucura
livre da liberdade, é um pedaço
que cabe nas plantas dos pés,
instrumento para andar, para amar,
não ao coração! não ao cérebro!
não ao embaraço de dizer não!
não, porque hoje tu andas mesmo sem pernas.




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