A little pain in the ass

Data 10/05/2010 20:47:33 | Tópico: Crónicas

Para quem não entende o título eu traduzo: “uma dor fininha no cu”.


Já não sou muito novo nestas andanças de luso, já cá estou há quase 3 anos, lembro-me que quando entrei havia discussões acaloradas no fórum, nos espaços destinados aos comentários, discussões essas que extravasavam o próprio site e tinham continuação nos mails, telefonemas, etc. discutia-se por tudo e por nada, uns porque achavam a Espanca a melhor poetisa viva e outros que diziam que ela já tinha morrido, uns que diziam que a lua era a verdadeira inspiradora da poesia, outros que era o camelo do primeiro ministro, mas discutia-se, às vezes até acaloradamente com promessas de atravessar o país para deitar portas abaixo ao pontapé. Isto é próprio de sítios destes onde tantas vaidades se esbarram como os carrinhos de choque das feiras populares. O Orfeu, revista onde lídimos escritores hoje elevados à condição de (quase) santos escreveram, foi palco muitas vezes de poemas cuja subjectividade mais não era que ataques aos colegas de publicação. (aquilo era assim a modos que um luso da época) onde pontificavam Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, entre outros. Já para não falar das reportagens que o Camilo escrevia no antigo e extinto “1º de Janeiro” a atacar em jeito de critica os escritos do Eça.
Quer queiramos quer não esse surrealismo da crítica suez está sempre presente em realidades como esta, quer na escrita quer noutro género de arte. No nosso caso é de escrita que falamos e aí a porca torce o rabo porque para muitas basta escrever uns gatafunhos que já se pode chamar escrita, ainda que esses gatafunhos (algumas vezes) sejam copiados ou vá lá (como eles gostam de dizer) inspirados em gente que já não tem nada a provar a ninguém e há muito se libertaram das leis da morte pela sua genialidade. Não podemos ser todos génios, mas nem por isso vamos ser todos burros.
Honestamente eu ando a ficar petrificado com o caminho que este site está a levar, com as hordas de gente que está a chegar além e aquém mar sem qualquer tipo de virtuosismo ou sequer com vontade de aprender. Até pela aragem se vê quem vem na carruagem, ele é cada “nick name” de bradar aos céus autentica publicidade da imbecilidade pura que ostentam, uns que amam Jesus, outros com nomes místicos de divindades e até dos axés lá do sitio deles. Só vos digo que é preciso paciência de Job, (esta tirada é para os apreciadores de referencias religiosas). Só para dar um exemplo o dia da mãe aqui em Portugal foi no passado dia 02 deste mês, facto que se notou amplamente no luso e eu fiquei a saber ontem que esse dia se celebrou lá no Brasil…Ontem (até houve um que cometeu um de(s)lize). Fantástico não é? Assim sem perguntar a ninguém, mas foi tal a profusão de poemas à mãezinha deles que eu vi logo. Pois é, e é este tipo de coisas que me provoca as tais dorezinhas no dito cujo. Vejo este site prestes a entrar pelo ralo, neste momento está naquelas voltas tipo poço da morte que o urubu mal cheiroso costuma fazer antes de se precipitar no buraco com um “plop” arrastando a água do autoclismo (não sei como se diz em brasileiro!) atrás de si.
Eu não sou de embandeirar em arco e dizer que me vou embora, mas como muitos vou-me afastando aos poucos porque sinto que o espaço já não é meu. Não deixo de me admirar sempre que cá venho com a pobreza intelectual que grassa no site para não falar dos erros ortográficos que vieram para ficar e cada vez mais me interrogo se quero ter alguma coisa a ver com algumas pessoas que pululam por aqui e fazem disto a sala de estar sem qualquer tipo de respeito pelas conveniências e pelo decoro intelectual que deveriam ser apanágio de um sitio destes, se não se respeitam que respeitassem pelo menos os outros.
Não, não bato com a porta mas vou saindo…




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