
AMÁLIA A VOZ DO FADO - Poema declamado
Data 26/07/2007 21:52:01 | Tópico: Poemas
| AMÁLIA A VOZ DO FADO
Poema declamado - ouça-o aqui: http://www.euclidescavaco.com/Recitas ... a_a_Voz_do_Fado/index.htm
Amália !… Nome de voz sublime, Para nós quase sagrado, Que com enlevo se exprime, Mesmo em verso que não rime, É nome que sabe a fado…
Nome pequeno, talvez, Mas de enorme dimensão, Tão grande como a paixão E a perene gratidão, Deste povo português.
Amália !… Foi imperatriz, Da Canção do seu País, Que levou pra tanto lado. Foi Diva, Dona e Senhora, Talentosa detentora, Dessa voz que o povo adora E fez rainha do fado.
Amália !… Dizem que não foste mãe, Mas são tantos os teus filhos, Deixados na tua voz ! Fados… Fados, são filhos também. Foste tu que os geraste E com carinho legaste, Por herança a todos nós.
São muitos os filhos teus Que embalaste a cantar: Ai Mouraria… E Foi Deus, O Barco Negro e O Mar.
Confesso… E Sabe-se Lá, O Fado das Tamanquinhas, Fado Malhoa e Timpanas E a Casa da Mariquinhas !…
Ciúme é chama maldita, Lisboa não sejas Francesa, O Namorico da Rita E uma Casa Portuguesa !…
Ó Amália, Com quem as ruas de Lisboa E as escondidas vielas De Alfama e Madragoa, Segredavam os mistérios da Cidade. Sem ti já não têm alegria. Agora Expressam apenas melancolia, De semblante mudado, Por nelas existir fado, Resta uma eterna saudade !…
Ó Amália, Deixaste de luto o fado E com ele a Pátria inteira, Este Povo que te ama E te chora consternado !… E as guitarras !?… Essas tuas companheiras, Dos momentos de glória, Trinam agora dolentes, A soluçar comoventes, Carpindo em tua memória !…
E num lamento sem fim, Sofrem !…Pesarosas e sós, Por verem calar assim, Para sempre a tua voz.
Ó Amália , Suaviza a tristeza do teu Povo, Roga ao Divino, Que te deixe voltar de novo Por quimérico Segundo, Queriamos voltar a ver, Esse teu sorriso, Do tamanho do mundo.
Ó Amália, Quão mélico para nós, Seria ouvir tua voz, Mesmo aí da eternidade. Se cantar, não é pecado, Implora à Divindade, Esse prodígio Sagrado.
Mitiga a nossa saudade E volta a cantar o fado !...
Euclides Cavaco
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