
«« Maria sem rosto ««
Data 07/05/2010 15:28:38 | Tópico: Poemas
| A noite trás o sussurro inebriado Trás o roçar da pele na mão cansada Vislumbra-se o sol que está de abalada A sombra aproxima-se da porta fechada
Ao fundo da rua, uma guitarra pasmada Toca um acorde de um fado vadio As mãos do fadista viram corrupio Soa a sua voz presa por um fio
É triste a mensagem que canta a desgraça Fala de algo, lá atrás no passado De uma Severa, que é serva de um fado De um Marceneiro, que morava ao lado
De um fado castiço, uma Madragoa Uma ruela escura no Senhor Roubado Uma taberna suja no Bairro Alto Uma mulher que chora pelo seu amado
Fala de um xaile estendido, prós lados de Alcântara Uma menina Lisboa, tão bem que ela canta Fala do Tejo numa canoa Ai, menina rabina, é a Madragoa
Ao fundo da rua nasceu o fado De uma mãe varina, de um pai estivador Olho-te Lisboa e recordo o amor Um parto apressado sem grito ou dor
Nas ruelas cheias de uma luz amarela Olho-te Lisboa pela passerelle De uma avenida que é liberdade Encho o peito de vasta vaidade
Canto-te Lisboa cidade de luz De poetas e fadistas, de um credo em cruz Nas bocas gravadas pelo amor que seduz Uma mulher que chora, vista a contra luz
É seu nome Maria Maria sem rosto Recordo que sofria Cantando com gosto.
Antónia Ruivo
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