
Anjos sem rumos
Data 26/07/2007 12:30:09 | Tópico: Poemas -> Tristeza
| Escolhi e preparei um solo forte, E nele plantei, minha divina semente! Esperando de Deus, uma melhor sorte, Para estar no meu futuro, passado, presente... ~ Logo lhe percebi germinado, E assim brotando em um pequeno botão Era um pequeno ser, que vinha me encantando, Então esperei feliz, por sua primeira floração... ~ Fora assim que te cuidei pelas noites e dias, Esperando por ti, como a redenção de meus pecados! Mas o destino é cruel, e age em picardia, Apodrecendo por vezes os frutos sazonados... ~ E ao ver que pequeno botão não floriria, Chorei como a mais forte chuva de inverno Apanhado como um escravo pedindo alforria, Ao conhecer o mais profundo dos infernos... ~ O botão secou, dando um fim aos meus sonhos, E eu que lhe esperava, ser o mais belo do jardim Assim virou um pesadelo, tétrico e medonho, Dando a minha alegria um póstumo fim... ~ Para ter-te, daria tudo que fosse preciso, Mas com o sonho desfeito, a vida perdeu o sabor Pois quando partiste, para morar no paraíso, Levaste contigo, o que eu considerava amor... ~ Sinto-me como uma velha árvore tombada, Que em seus galhos secos, não brota mais a vida Esquecida a beira de uma estrada abandonada, Apodrecendo como uma imagem perdida... ~ Quero-te anjo perdido, pois eu te amei, E eu te desejei mais do que imaginava Mas acordei com um pesadelo quando sonhei, Percebendo que ao meu lado, tu não mais estavas... ~ A cada estrela que nasce, um anjo morre! A cada anjo que morre, uma criança nasce...
*Em memória de minha filha Maria Eduarda Ramos (26/06/2005)
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