
SONETOS
Data 24/04/2010 15:47:49 | Tópico: Sonetos
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As minhas confissões, erros, pecados Jamais me permitiram salvação Enquanto a vida traça a viração Volvendo aos meus diversos vãos e enfados, Não deixo mais sequer meros recados, Nem tento novos dias, pois virão Somente os mesmos ledos, sem verão Inverna a cada dia nestes prados. Igrejas e demônios poluindo O quanto poderia ser infindo Cenário decomposto, sem ternura. Caminho sem sequer ter um momento Aonde poderia sem tormento, Sobrando para mim tanta amargura...
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Adentro felizmente este caminho Que leva ao meu querido Satanás E tenho nesta fúria, a imensa paz, Da qual e pela qual me fiz daninho, Erguendo um brinde ao Demo, vou sozinho E embora na verdade tanto faz, O quanto me fiz rude e até mordaz, Sangrando a cada verso, traço o ninho. Não quero o teu perdão nem mais preciso, Se a vida sempre traça um prejuízo De que me vale assim, misericórdia, O passo mais feroz que inda se dê Transforma qualquer coisa sem por que No anseio mais sublime da discórdia...
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Lavando os meus pecados com as lástimas Que tanto surtem ledo e triste efeito, Já não seria assim tão satisfeito O mundo feito em pulhas, vagas lágrimas, E tantas vezes traço em tom atroz O quadro que tecera a mansidão Se eu quero e mesmo adoro a danação É nela que se torna firme a voz, Augúrios entre sonhos, senda vis, Resenhas costumeiras, e as jornadas Deveras entre tantas malfadadas, Assim talvez me faça mais feliz. Reparo a sombra escusa desta bruma, E toda esta esperança em vão se esfuma...
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Deitado sobre as sombras do que fui Encontro esta satânica figura, E quando se percebe assim ternura, A morte em minhas veias, segue e flui. O quanto deste demo sempre influi No passo que deveras transfigura Embora te pareça uma loucura, Revela o que decerto pressinto e rui. Não pude contra a força mais insana E tantas vezes alma tão profana Hedônico demônio me tocara, Assim ao se sanar a solidão Nos ermos deste inferno a solução Cicatrizando o não, dorida escara...
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Espírito satânico domina O verso mais audaz que poderia, E tanta vida feita em tez sombria Negando desde sempre alguma mina, Aonde se emanara podre sina E tanto quanto pude em agonia Dizer do meu fantasma que se cria Enquanto este terror tanto fascina, A sorte desvendada neste enredo E quanto mais ao demo me concedo Percebo enfim a tal felicidade, Assim ao retratar a humanidade Nas sendas de Satã eu me enveredo Minha alma pouco a pouco se degrade...
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Poder que nos seduz, dinheiro e gozo, Assim ao mais sublime dos altares E quando com certeza tu tocares Verás o quanto é belo e majestoso, Ainda quando agora, este andrajoso Demônio nos diversos lupanares Caminhos mais sutis tu profanares, Após a tempestade o prazeroso Cenário se mostrando em ouro e fêmeas Diversas almas sendo quase gêmeas E nelas se desnuda este delírio, Deixando para trás a virulência Da espúria e sem proveitos inocência Matando o que restara em ti, martírio...
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Sentindo-me deveras no vapor Aonde se esfumaça a liberdade, Vencendo com furor a tempestade, Gozando deste imenso dissabor, O preço que se paga pelo amor, Enquanto o tempo tudo em vão degrade, Rompendo dos pudores qualquer grade, Não vejo mais a cena a se compor, Fagulhas incendeiam os infernos E deles novamente ricos ternos, E tantas maravilhas prometidas, Infaustos nesta vida? Nunca mais, Auríferos caminhos magistrais, Nas hordas de Satã enternecidas...
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Marcado pelas ânsias do demônio Não pude mais seguir tal procissão, Nos círios e nas lágrimas de então Agora dentro em mim tal pandemônio, Ao ser deste Satã um patrimônio, Não quero mais a dura solidão Tampouco este silêncio e me ouvirão Do grande aristocrata ao vil campônio. Servindo ao grande pai, o majestoso, Herdando a terra inteira após o fim, Medonho caricato um querubim, Andando pelas ruas, pegajoso, Verá depois de tudo o grande Império Aonde o despudor dita o critério.
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Encontro no que tanto te traz pejo O gozo mais sublime e tão perfeito E quando em trevas tantas eu me deito, O fim maravilhoso ora prevejo, Nas sanhas mais sublimes um lampejo Transcorre furioso e me deleito, Agora por Satã se sou aceito, O mundo em glórias fartas, mais sobejo, Alívio aos meus tormentos, minhas dores, Espinhos derrotando podres flores E todo este cenário decomposto, A pútrida visão, mera carniça Poder que enfim se emana da cobiça E Jeová enfim será deposto!
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Herdeiro deste Reino demoníaco Satã, um soberano em gozo e festa, Assim ao se pensar quanto funesta Deveras noutra face afrodisíaco, E tendo esta verdade em ser maníaco Aonde se pensara em qualquer fresta Adentra o coração e assim se empresta Hedônico portal, paradisíaco. Enquanto rege o Império do sentido, Tomado pelas ânsias da libido, Eclético senhor, dita o poder, E assim ao se mostrar desnudo ser Edênica serpente? Ledo engano É belo e tentador tal soberano. MARCOS LOURES
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