
HOMENAGEM A MARCOS COUTIN HO LOURES E A CARMITA LOURES COMEMORANDO TRINTA MIL SONETOS
Data 17/04/2010 11:35:28 | Tópico: Sonetos
| Ela é flor da doçura e tão singela Que, nada pede e não lhe falta nada! Por ser assim, tão pura e recatada, Dentre todas as santas, é a mais bela!
Se sofre, ninguém sabe pois, em cada Momento de tristeza, sempre dela Aflora uma oração e então, ao vê-la Recolhida em seu canto, delicada,
Conversando com Deus (assim presumo) Ela irradia a paz, só conhecida De quem, da vida, sabe o exato rumo!
Esta mulher, enfim, é tão querida Que, no seu nome, sinto que resumo A mais santa mulher que vi na vida!
Seu nome, Só podia ser Maria! Maria, paz infinita, Maria, também DO CARMO! Do Carmo, também CARMITA!
MARCOS COUTINHO LOURES
1
“Ela é flor da doçura e tão singela” Entranha-me o prazer só por poder Estar no dia a dia e perceber Que a plena santidade se revela. Raríssima meiguice em mansidão Sabendo caminhar entre espinheiros Sorrisos tenros francos verdadeiros Mostrando a mais segura direção Aprendi tanta coisa nesta vida Em meio aos arranhões, senões porquês O quanto em falsos passos se desfez O que jamais pensei em despedida, Minha alma segue-a: eterna e rara estrela E eu sou feliz somente por sabê-la!
2
“Que, nada pede e não lhe falta nada,” Ensina que é possível ser feliz Aonde o pedregulho contradiz A sorte em suas mãos, iluminada. Ao vê-la eu percebi; deveras, Deus Assim ao percorrer tantas montanhas, As horas doloridas, mais estranhas Momentos preparados num adeus, Podendo conceber a maravilha De um cais onde pudesse ter enfim O ancoradouro firme e de onde vim Minha alma volta e meia em paz já trilha Do todo que aprendi consigo eu sei Amor feito em perdão: suprema lei!
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“Por ser assim, tão pura e recatada,” Transmite a transparência cristalina Minha alma por sabê-la se fascina, E encontra nos seus olhos a alvorada, Assim eu conheci de perto a sorte Na plenitude mansa de um olhar E aprendo a cada dia mais amar Sabendo deste bem que me conforte, Enquanto a vida amarga em fel e medo Palavra em mansidão aplaca a fúria E mesmo que na vida em tanta incúria Conhece o caminhar sem mais degredo Um mundo sem corrente algema e grade Na libertária força da humildade!
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“Dentre todas as santas, é a mais bela,” A calmaria vence os temporais E tendo a limpidez destes cristais Singrando mar revolto, firme vela, E tanta vez eu pude conhecer Inesgotável fonte de carinho E quando sei que nunca irei sozinho Conheço dentro em mim o amanhecer, Pois mesmo tão distante em outra esfera A vívida presença que me alcança Gerindo com ternura uma esperança E nela toda a glória que se espera. Pudesse tê-la sempre sem adeus, Porém; como sem anjos fica Deus?
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“Se sofre, ninguém sabe, pois em cada” Tormenta ensina sempre que há um porto E quando me sentira tão absorto Pensando no futuro, a tez fechada Com sua mansidão no olhar mais doce Uma palavra; ao menos, me dizia E assim ao renovar minha alegria Um bálsamo, deveras como fosse, E tendo esta certeza de um momento Aonde a vida encontra seu aporte Ao me ensinar no amor, perdão, meu norte Em pleno temporal eu me apascento, Ouvindo a sua voz suave e mansa Que mesmo hoje distante, inda me alcança.
6
“Momento de tristeza? sempre dela” Palavra que permita novo sol, O amor sendo na vida o meu farol Descreve com primor superna tela, E desta luz em forma de mulher Eu aprendi a ter na claridade Sobeja que decerto inda me invade E enfrento a tempestade que vier. Qual lua em noite imensa, sertaneja Iluminando as trilhas de quem tenta Vencer em calmaria uma tormenta, Minha alma sem temor já se azuleja E sei da eternidade em luzes tanta Somente por sabê-la, bela e santa!
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“Aflora uma oração e então, ao vê-la” Rezando com seu terço, toda noite Neste rosário a força contra o açoite Qual fosse num deserto a guia/estrela E quando muitas vezes em tropeços Os dias em penumbras doloridos Apuro num delírio meus ouvidos E volto a minha vida aos seus começos E sinto o seu sorriso junto a mim, A sua voz macia e redentora, Aquele que deveras fera fora, Ao ver tanta doçura crê por fim Na imensa santidade feita em luz No amor que tanto guia e me conduz.
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“Recolhida em seu canto, delicada,” Presença que deveras não esqueço O amor ao conhecer seu endereço Percebe em suas mãos, como as de fada A maciez e ao mesmo tempo o apoio Que tanto ainda sinto; mesmo ausente Carinho que decerto me apascente Sabendo discernir trigo de joio, E acima disto tudo, perdoar, Nas horas mais difíceis é meu cais Momentos tão sublimes, divinais Na imensa claridade em luz solar, As rosas, jasmins, lírios no canteiro O amor eterno e puro: o verdadeiro!
9
“Conversando com Deus (assim presumo)” Um anjo que se fez aqui, mulher E ensinava a enfrentar o que vier Mantendo com firmeza essência e sumo, Assim como fizera a vida inteira De todos os momentos, mãe e amiga E nela esta beleza que se abriga Da mais suprema luz, a mensageira. Vencer as tempestades com ternura As perdas naturais, saber vencê-las E quando se percebem mais estrelas O céu se engrandecendo em tal moldura, Ao conhecer de perto tanto afeto, Jesus com seu cordeiro predileto!
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“Ela irradia a paz, só conhecida” De quem com Deus conhece o Seu caminho E quando desta luz em me avizinho Renovo com certeza a minha vida. E tendo a cada passo esta certeza Não temo mais as dores nem a morte, Sabendo ser tão claro este suporte, Uma haste em redenção traz a firmeza A quem ao se embrenhar em noite escura Depois de tantas lutas vida afora Enfrenta a fera imensa que devera Nem mesmo a fúria insana me tortura, Encontro do passado a claridade Que mesmo tão distante é forte e invade.
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“De quem, da vida, sabe o exato rumo” E tem total controle do timão, Por mais que estas borrascas se farão Presentes, com seu braço eu já me aprumo E sei do caminhar em pedregulhos, Sem ira, sem cobiça ou vaidade Sem nada que deveras me degrade Tampouco me tomando os vis orgulhos, Eu tenho em meu olhar belo horizonte E mesmo se brumosa esta manhã A vida não se mostra nunca vã Ao ver esta beleza que desponte Qual fora eterno sol ao me guiar Com toda a mansidão deste luar...
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“Esta mulher, enfim, é tão querida” E tanto me faz bem só por poder Dizer do quanto existe no meu ser Daquela que se fez em despedida, Mas nunca se ausentando dos meus olhos, Na paz e na completa sensação De ter no alvorecer a direção Jardim pleno de rosas, sem abrolhos, Assim ao me lembrar quando menino Das belas tardes, noites, dias, luz... O amor que em tanto amor se reproduz Gerando este cenário e eu me fascino Somente por poder ter sido enfim, Mais uma rosa viva em seu jardim.
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“Que, no seu nome, sinto que resumo” A mágica beleza em humildade, Vencendo com ternura o que degrade E traça com doçura o sacro rumo, Alvissareira a vida de quem ama E sabe perdoar, isso aprendi E trago sempre vivo, pois aqui Daquela que se foi mantenho a chama E chamo vez em quando por seu nome Durante os meus tormentos tão freqüentes Os dias que virão iridescentes A fera dentro em mim que o amor já dome E faça da tempesta a calmaria Clamando por meu norte que é Maria.
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“A mais santa mulher que vi na vida” Razão destes meus versos e se vê Na imensidade azul o seu por que De tantos labirintos, a saída A sorte foi comigo benfazeja E pude conhecer assim de perto Quem tendo um horizonte sempre aberto Mesmo que tão distante inda azuleja O rumo deste que se fez poeta E quando a vida corta e sangra; eu tenho Divina imagem feita em manso cenho E toda este caminho se completa Naquela a quem se fez sobejo mote E assim encerro aqui neste estrambote:
“Seu nome, Só podia ser Maria! Maria, paz infinita, Maria, também DO CARMO! Do Carmo, também CARMITA!”
MARCOS LOURES
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