
«« Parede branca ««
Data 15/04/2010 15:52:07 | Tópico: Poemas
| Estou aqui parada olhando a parede branca É tão branca e deslavada Nem uma sombra se atreve a violar A brancura imaculada daquela parede branca E eu aqui sentada Desenhando sonhos na parede a saltitar Aqui desenho uma amora Mais adiante um roseiral Lá ao fundo um riacho de agua cristalina Onde afogo os meus ais Vão ao fundo para logo regressar E ficam ali plantados, na parede de cor neutra Há, como eu queria Que esta parede branca, me esbatesse a frieza Que volta e meia me envolve Será que sou eu Que não vejo para lá da parede Neste instante é ela que me olha Com um brilho diferente O branco é mais branco, é reluzente Olha, estão a cintilar os meus gritos Envoltos na mortalha do imaginário Agora elevam-se pelo ar Caminham de mãos dadas, num bailado hilariante Convidam-me a dançar E eu, olho pasmada Esta parede branca que é o reflexo do meu eu Onde nada entra neste dia Senão a brancura da ausência Que de tão fria que é, As minhas ideias geraram-na branca Agora vou andando, e olhando de soslaio Aquela parede branca Aceno-lhe num adeus imaginário Segredo-lhe ainda, nunca me deixes parar de te olhar.
Antónia Ruivo
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