
sem número.
Data 29/03/2010 20:51:41 | Tópico: Textos
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lembro-me que havia no teu rosto um arvoredo denso onde se perdiam pássaros aventureiros e vozes de vento, que tinham tão grandes ramos as árvores no céu adentro que eram de nuvens as paisagens feitas. lembro-me das flores a ocupar terra, chegavam-me pela cintura, eram de todas as cores, algumas que nunca voltei a ver. e os riachos nasciam-te dos olhos, traziam peixes e nenúfares de água salgada que morriam depois à boca. e lembro-me de me sentar num rochedo três vezes maior do que eu a ler um qualquer poema de amor ou dor, em voz alta, e de te ouvir dizer silêncio como quem grita mais alto. lembro-me de ver então crescer-me raízes na pele, musgo, fungos, solidão e de, pouco a pouco, ser lábio, rosto, corpo, tu.
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