
Uma declaração de amor
Data 28/03/2010 16:18:56 | Tópico: Poemas
| Não sei se te disse hoje, nem se te disse há uma hora atrás, mas apetece-me dizer-to, flor do Maio que despontas no cerne da minh’alma. Há em mim algo que me leva a ceifar a tua seara em arremetidas de sol ameno que aquece a planície, as ondas de calor que nebulizam o horizonte, teu corpo alquebrado ao meu toque. Margarida selvagem que despontas teimosa entre o trigo loiro, queria-te desfolhar como a um malmequer sem me importar com a conta das sortes, em teus lábios de azeitona num beijo eterno assim, nunca desfeito, colho-te nas margens do meu querer e saboreio-te no centro da minha corrente, que corre, sempre e só para ti, terra fecundada pela semente do teu bem-querer. Não sei se te disse hoje, nem se te disse há uma hora atrás, renovo-te em cada hora em que me penduro nessa espera que ostento no rosto, bordo-te na saudade e marco-te na lavra do meu arado fundo pelo teu ventre, digo-te sempre neste desejo sem distancias que és a tarde do meu sol, a noite da minha lua, madrugada eterna de primavera ansiada. Não sei se te disse hoje, nem se te disse há uma hora atrás, mas sim, amo-te.
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