
AINDA A LANTERNA
Data 26/03/2010 23:20:59 | Tópico: Poemas -> Sociais
| AINDA A LANTERNA
Uma luz bruxuleante se vislumbra Quando a noite a cidade emoldura Quando a poente não há mais que penumbra E do dia réstia de luz não perdura
Intrigante se faz essa luz inquieta Como se soprada por brisa amena Ao vê-la a multidão se aquieta Que estranho prenuncio lhe acena
Olhares se cruzam na escuridão No silêncio expressando seus temores Como pressentindo indómito furacão Aos céus imploram divinais favores
Estranha aquela luz inusitada Nunca antes daquela cor se vira Todos se perguntam qual é a estrada Que semelhante luz terá por mira
Corruptos sabemos eles sobejam De oiro e prata cheios os alçapões A riqueza todos a almejam Mas que ninguém os chame de ladrões
De repente um grito lancinante Faz-se ouvir da densa multidão Como quem se revê, desconcertante Num sentir profundo de emoção
De Diógenes se trata oh gentes Atentem nas feições e na lanterna Aquela luz acorda as sábias mentes Que conheceram a vida da caverna
Endeusado se fez o homem novo Subida que foi a montanha da arrogância O homem de hoje não quer ser povo Acendeu-se-lhe na mente a petulância
A lanterna é de Diógenes oh gentes Que homem não vira em suas andanças Humanos pigmeus de débeis mentes Bem menos sábios e bem mais dementes Dispostos como outrora a vis matanças.
Antonius
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