
Tão só um curso de rio
Data 26/03/2010 19:36:01 | Tópico: Poemas
| Na vida não busco a morte, busco tão só encontrar a vida nessa espécie de sorte que parece espreitar num lampejo soturno de um sol que me nasce na nuca, abotoo a farpela e viro-lhe a albarda pesada que carrego nos ossos do meu viver. Na vida busco sempre o improvável e contento-me com o mínimo, não procuro mares nem serras descontinuadas, busco tão só o firmamento. Não me revejo no verso perfeito, busco tão só a palavra única. Quando alguém me dá a mão não é o amor que busco nela, é tão só o “para sempre” que se separa fácil na adequação dos corpos, na sensação de infinito que me prodigaliza. Não, não tenho medo do infinito como não tenho medo da morte, da minha morte. Não sou segmento de recta, sou caminho, tortuoso sim, mas sempre em direcção a algo descendo veredas subindo alamedas, a luz é o facho do meu orgulho, sou maré cheia de rio que nasce no mar em direcção, não sei ainda mas contento-me tão só em não parar, no meu trajecto não preciso dos acordes perfeitos a ritmar-me as ondulações, contento-me tão só com o silêncio.
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