
Às horas ...
Data 21/07/2007 15:07:11 | Tópico: Poemas
| Às horas gloriosas voaram-nos pássaros de seda, na enseada branda de memórias em chilreios audazes, em danças de xilofones e contrabaixos...
Às horas impiedosas azularam-se descaídos sobre boca da morte em penas brandas de zunidos e ventos, aos ritmos lentos de violinos cinjos ao toque de dedos corpulentos...
...em acordes infaustos e andamentos magistrais, tangidos na raiz dos medos, da madre terra reflorescida, saíram em borbotões, bichos sangrentos – negros sapos, lacraus e centopeias -, às mãos cheias, incensados ao sabor dos ácaros, fungos e bolores, na recidiva de que se cobriram os pastos, nas cores da tarde em que a dignidade ferida crucificou margaridas na cera das nossas asas ...
... na hora demoníaca de póstumas danças.
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