
A precarização da saúde! (AjAraujo)
Data 24/03/2010 00:17:03 | Tópico: Crónicas
|  Paciente x Médico, Médico x Empresa: qual o paradigma destas relações? A banalização da saúde, a promoção da "doença". GOSTARIA DE PROPOR UMA RE-FUNDAÇÃO NA RELAÇÃO MÉDICO – PACIENTE QUE NÃO FOSSE MAIS UMA RELAÇÃO DOMINANTE QUE SE TRANSFORMASSE EM EFETIVA PARTICIPAÇÃO.
Que ao invés de paciente, se chamasse atuante, Que a relação se fundasse nos pilares sólidos da compreensão Da solidariedade, do respeito mútuo e, fosse assim pactuante De uma nova forma de práxis médica.
Que se busque todos os meios para minimizar as dores Mas que os avanços da tecnologia não nos torne credores De outras dívidas, além do custo social, a da perda da identidade De cuidador e cuidado, limitados pela venda dos planos de ´saúde´
Desde Hipócrates, o discurso de formatura De defesa implacável e promoção da vida Se choca ante aos escusos interesses do capital na doença Fonte essa de todos os lucros e comércio que tantos nos avilta
A cada dia que passa, é mais desigual o acesso Às maravilhas modernas na engenharia genética e aos medicamentos Aos transplantes de células-tronco e avanços da nanotecnologia Tudo depende de quanto se está disposto a pagar na fatura...
A mercantilização da medicina, Coloca-nos diante de um limbo Não mais de um outrora consagrado Olimpo, Pois esta banalização em agentes de um negócio nos transforma.
Como pode a vida virar um artigo de mercado, uma mercadoria? Como revitalizar a tradicional relação médico-paciente Ante aos patamares aviltantes de uma relação médico-empresa Como cuidar da saúde, ante o paradigma da doença, dominante?
Quando os cuidados com a saúde deixam de ser Dever do Estado E passam às mãos dos inescrupulosos senhores do mercado A vida humana se torna um farto shopping de procedimentos Ditados pela sanha de venda de serviços ´médicos´
Quem estará preocupado com a promoção da saúde? Quantos de nós avaliamos o custo-efetividade e a real utilidade De tantas intervenções medicamentosas e cirúrgicas? Afinal, quanto vale cuidar da vida, em seu sentido pleno?
Afinal, o quanto isso é prioridade Para discutir em nossa sociedade Impregnada por valores de consumo? Ou para os empresários, agentes públicos, governo?
Enquanto isso, o paciente Não consegue sair das teias que cerceiam sua alteridade Submetendo-se compulsoriamente aos elevados custos Da fatura mensal, comprometendo seus recursos parcos
Porquanto, nós médicos Nos submetemos aos ditames do mercado dos planos e seguros Abrindo muitas vezes mão de nossa própria dignidade E afinal acabamos como cúmplices do mesmo sistema que oprime.
Urge mudar este quadro SAIR DA RELAÇÃO MÉDICO-EMPRESA ULTRAJANTE PARA UMA RELAÇÃO MÉDICO-PESSOA EDIFICANTE Em outro paradigma, da ética e do valor humano.
Hipócrates certamente baterá palmas para tão ousada iniciativa De médicos, professores, ´consumidores´, políticos, governantes Que a clausula da Constituição, saúde como direito de todos E obrigação do Estado, não seja apenas pétrea como dantes...
 AjAraújo, o poeta humanista, escrito em fevereiro de 2007.
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