
NÃO TENHO CAMINHO
Data 18/03/2010 00:54:17 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| NÃO TENHO CAMINHO
Em vão As palavras brotam como água De uma nascente salobra.
Se algum sol brilha De tão cego nem o vejo!
Passo pelas pedras Que me circuncidam o caminho Com o sorriso complacente De um derrotado Que na esfinge de um martírio Parte a fatia do bolo da esperança Com um canhão!
Ainda tenho tempo para dizer Que sou feliz… Ainda me sobra compreensão Para apoiar os desvalidos… Ainda levanto os braços no ar Fecho e abro as mãos Como se mondasse a esperança… Ainda tenho tempo Para ser criança…
Vã! Apenas vã! A intenção inútil do grito Sobre um rochedo de luz Apenas traduz O mistério dum sonho por desvendar A utopia Dum sentimento desenhado No convénio do vento…
Nos cones de ferro de todos os gradeamentos Cruzo o olhar e deixo a alma enredada Nas varetas erectas Que protegem o que de matéria existe. É tão importante ter…
Em vão… Apenas em vão O caminho deixado para trás Numa sala vazia Numa conversa muda Num momento esquecido Entre as frestas de uma múmia!
De rosto erguido caminho Convicto de nunca chegar a lado algum… Na boca retenho a palavra Numa represa de emoções… Na mente um pedaço de conforto Apenas serve de consolo Aos outros corações.
Mas vou Com as mãos nos bolsos vazios Sem ter onde ir!
16 Março 2010 antóniocasado
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