
No espaço sobrevivente no interior das veias
Data 14/03/2010 05:21:41 | Tópico: Poemas
| Que os outros não saibam o que por aqui escrevi, Mesmo que lhes mostre o quanto de mim dói, nos sai minerais do rumor da ferida.
Que os outros não me caibam no coração No espaço sobrevivente no interior das veias na passagem da sombra corroída das ruas E no rastro dos dedos sob o teclado das paredes melancólicas
Que os outros não se esqueçam Quando deturpam as palavras saliva a gaveta da aceitação inconsciente da vida No roupeiro, visita de vez enquanto a paixão na metadona por sentirem apenas uma saída Que os outros nada dizem.
Como lama entranhada no cérebro Molda-se para evitar o conflito do inconformista E cai como um corpo inanimado sobre as flores, uma língua de fragrância de caule lodoso
Os papéis estão soltos neste momento A mente está limpa; deitei os papéis soltos fora Da vida, no pretexto de viver mais vida
Incendiei o caixote do lixo E assisto à sua imolação Corpos e corpos de letras metafísicas são devorados pelo lume Cortante, crepitante Tudo isto assisto na embriaguez da pele
Que os outros não saibam Que a minha cabeça nunca encontrou este lugar Esta cidade onde fui feliz.
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