
Eu Sou
Data 10/03/2010 10:09:46 | Tópico: Poemas
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Eu Sou
(Ano 2008, Painel em caneta de prata e ouro e cristais sobre cartolina preta, 70x50 cm, Colecção Particular)
Nessa bola ardente em fogo que é o meu coração. Coloquei no meu ventre toda a esperança do mundo e dei à luz a criação universal. Do meu interior fabriquei o pão de toda a humanidade, e o meu sangue converteu-se no fermento que o levedou. As águas dos rios e dos mares habitam agora os leitos de minhas veias, e nelas flúem enchentes, cascatas de águas mornas e límpidas que flúem sem parar. Eu sou toda a vida, toda a criação eu sou. O forno que coze o pão do mundo, eu sou. A libélula do charco e o peixe do lago. Aquele que sempre foi. Aquele que é. Aquele que será. Eu sou. A luz da humanidade, eu sou. O Infante ainda por nascer. Aquele que aguarda o sussurro do futuro, no ventre da natureza, e que voa com as aves para o sul. O que dá, tira e recebe. O construtor de castelos no céu. O crivo das areias do mar. As trevas, a luz, a escuridão, eu sou. Toda a imensidão do negro espaço a mim pertence, e a mim são devolvidas todas as amarras das velas nos navios do alto mar. A mim toda a tripulação dos navios da humanidade suplica por ventos de feição. O fogo-de-santelmo, eu sou. A luz do sol e o brilho dos planetas. Sou a primeira gota de sangue no corpo dos que ainda não nasceram, o esperma primordial e o útero dos que vivem e da criação ainda por nascer.
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