
Sou feliz e nem sabia
Data 07/03/2010 21:16:14 | Tópico: Contos -> Humor
| Mulheres que me perdoem à incongruência nesse dia importante, aonde vão caladas? Mas depois de ter vivido 6 horas presa num bar na lapa Com chuva cobrindo os joelhos no primeiro andar E sem serviço de cozinha e sem almoçar, Com os garçons evitando a mesa, com três mulheres de perfis completamente diferentes no bar, Posso declarar: _ Sou feliz e nem sabia! Porque mesmo vestida de lilás e com tênis roxo, Levanto e pergunto em alto tom Alguém está me vendo aqui? _ O caldo veio estragado! E a alagada rua da esquina e quiçá o planeta Terra todo, Estávamos devidamente presos num bar. Nessa altura, era um boteco qualquer e só não denuncio o nome, Porque o Venturini estava lá dentro rindo de mim. Chamei o garçom e perguntei: _ Está me vendo aqui? Conte quantos chopes? (Obediente disse)- Cinco, pois é, quantas somos na mesa? _ Três _ Percebe que eu não estou brava? Mas estou aqui há três horas e bebi apenas um chope? Estou com fome, afinal, ontem fui a Búzios declamar poemas em homenagem a Mulher e hoje fiz evento para crianças e familiares de manhã, eu vim aqui para almoçar, já são 9 horas da noite! E o caldo veio estragado! E o chop nem vem? A chuva caia torrencialmente em cima do Rio de Janeiro, mas e a infra-estrutura? - Sou de Brasília, não! - Sou Mulher A mesa da vizinhança já está solidária, Já pediam por nós, O Antonio, deve ser o dono do bar com certeza, é servido toda hora, e por vários garçons, conseguiu até uma empada de camarão! Falei com ele: - ÔÔ dono do bar, dá uma mãozinha aqui! E o companheiro, já deitado sobre si mesmo, roncava feito o bebê que dormia sem nem saber sequer, o que estava acontecendo no Rio alagado. As manchetes do jornal Nacional já denunciaram as imagens. Nós somos o BBB 11, dizia a garoto do lado, num bar sem comida e o chope aguado, com gelo de raízes da poluição na cidade. As pessoas já colocavam os sacos plásticos nas pernas para sair. _ E nós? O Fernando (o garçom) pergunta, o que quer? Vou anotar. -Água, guaraná, chopes e torradas para espantar a fome. Vamos ficar, amanhã é domingo, não vamos nos molhar, uma hora a chuva vai embora...Ah!! Será? Mas e se o bebê acordar mal humorado? - Temos música ao vivo(comentava o homem do lado, um homem solitário tira a gaita e toca qualquer coisa para espantar o tédio. A comida aparece, pão nem torrado e catchup. _ Coloca sal, para a minha pressão subir. _ Felizes, todos comem a cortesia do bar. Os garçons já de calças nos joelhos, tentam tirar o lixo dos bueiros. No meio do rio da rua, os ônibus conseguem passar e fazer ondas do mar. As ruas alagadas e sem saída. O homem de chapéu Panamá está em cima da mesa no andar de baixo, abismado, imóvel... Um barco viria bem a calhar... Mas e o amor na noite de sábado? Ah!! O amor será prosa de outro conto, porque esse se estendeu demais e a água já abaixou. E vou correndo para casa antes que o Rio alague de novo,já é madrugada, o amor dorme e perdi a fome, Mas o bom humor... Ah!! Isso é que não perco não! Nem por decreto!
Diana alagada na lapa. Rio de Janeiro, 7 de março de 2010.
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