
Carta Suicida!
Data 28/02/2010 17:53:29 | Tópico: Poemas
| Vencido não ouso mais um grito. Outra é hoje a minha aparência Após longo período de um atrito Que consumiu com minha existência.
Nada deixo para os meus filhos. (Nem mesmo para a pequena) Apenas os dias sem-domingos E algumas centenas de filhos-poemas. Em nada contribuo com a ciência. Nada ganha a Literatura com meus escritos Que somente revelariam, a olhos vistos, A minha mais completa falta de inteligência. Resoluto, resolvido, Parto-me em mil pedaços e me divido Onde cada retalho é mais uma diferença Daquilo não-conquistado, não-adquirido.
Um momento mal-resolvido desde nascença; Os meus medos, segredos, credos e crenças Amalgamados e mesclados com os conflitos; Com os beijos não-dados e omissos;
(Com as falhas (navalhas) e a não-presença...)
Dissoluto, dissolvido, resumido, Pássaro morto em nuvens de azuis essências; Jardim perolado da lua na Terra-Santa caído; Um poço profundo de ódios, caretas e carências...
Impoluto, inseguro ou imundo, Sem raios de sol ou Pandora com a Esperança, Despeço-me feliz por nada deixar no mundo Que denuncie que eu era apenas uma... Criança!
Por isso despeço-me feliz, com toda verdade. Nada deixo que me faça voltar as vistas para trás. Despeço sem temer a morte, a Deus ou Satanás. Deixo feliz essa vida para mergulhar na eternidade.
Um poema que li aqui, da poetisa Cleo, me inspirou esse texto.
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