
Ópera da guerra que não venci (As flores continuam de luto)
Data 16/07/2007 13:40:38 | Tópico: Poemas -> Sociais
| Caminho por entre um campo minado, Entrincheirando-me entre as explosões, Bem no meio de um fogo cruzado, Observando os bombardeios dos aviões... ~ Vejo prédios queimando, outros tombando, E blindados desfilando nas ruas Há pessoas mortas, outras chorando, E balas penetrando em carnes cruas... ~ Perdi minha identidade para o medo, Mas isso não é segredo, pois não sei fingir E ele, não me abandonará tão cedo, Mas esta guerra, também me ensinou a mentir... ~ Pois luto com um inimigo que não é meu, Não sei quem ele é, eu não o conheço Por isso perdi minha fé, transformei-me num ateu, Não acredito em Deus, e isso não é um bom começo... ~ Meu amigo tombou ao meu lado, ele não voltará, E as flores não estão de luto por sua memória Pergunto-me, a próxima vítima quem será? Abatido por uma bala, em sua trajetória... ~ Vejo que a torre da catedral permanece em pé, Porém só sobraram escombros onde antes era o altar Talvez alguns soldados, seduzidos por sua fé, Resolveram que a torre e sua cruz deveriam poupar... ~ E é de lá que se ouve uma melodia em rancor, Como uma ópera, da guerra que não venci, É uma canção, numa voz carregada de dor, Numa emoção, que mal cabe dentro de si... ~ Deveras, ele é um autocida como eu, Ao ver o lugar de seu batismo desmoronado Ou talvez com as imagens quebradas se comoveu, Ou quem sabe como eu, sente-se um derrotado... ~ Pois por todos os lados, há corpos dilacerados, Há vidas que partiram tão bruscamente Sinto-me como se eu fora pelo diabo enviado, Para arrancar a flor pela raiz, e matar a semente... ~ Mas a guerra não é minha, o inimigo não é meu, Mas o senhor da guerra, com isso sê satisfaz E me manda para o front, pois o assassino sou eu, Fazendo-me lutar por um falso epíteto de paz...
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