
BARQUINHO DE PAPEL
Data 21/02/2010 16:31:51 | Tópico: Poemas
| A chuva em trovoadas desabou do céu, intensa, em abundância, como lágrimas de Nosso Senhor despertando o meu lado criança
Corri a pegar um pedaço de papel com ele fiz um lindo barquinho onde desenhei o índigo do céu e acrescentei pitadas de carinho
De terno, gravata, sapato mocassim sem me importar com a aparência meio infantil, tudo era novo pra mim, extravasei minha olvidada inocência
A chuva forte molhou-me por inteiro deitei-me tão feliz sobre a calçada e vi, rindo, a água formando um ribeiro, patético, minha roupa toda molhada
Coloquei o barquinho na correnteza que, lépido e fagueiro, saiu a navegar e na fragilidade cândida de sua leveza parecia deslizando nas ondas do mar
A água, brava, o levou para distante por mares nunca outrora navegados e lá se foi como firme vai a amante quando discute e briga com o amado
Fiquei deitado sob as lágrimas do céu vendo meu barco que se ia radiante e mesmo sendo pequeno, feito de papel, deixou-se levar às cegas, todo confiante
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