
A volta da pomba cagona
Data 18/02/2010 22:16:09 | Tópico: Crónicas
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Aqui tem a primeira parte da historia. -“E andou a pomba mais comedida durante uns tempos, tão comedida e escorreita, tão amiga das outras amigas, tão amiga de fazer boas acções que quase peditórios fazia para abrilhantar a sua performance de sentida e contristada com as desavenças da vida. As alvas penas refulgiram de vigor, a sua cor empalidecia as demais pombas do pombal, não fosse ela gorda e anafada e os pombos concorriam para lhe bicarem o cachaço, tanto que já até já lhe chamavam pombinha” Estava a avozinha a contar a história ao neto quando ao chegar a este ponto o puto travesso interrompe e pergunta: - Óh Avozinha, então pombinha não é aquilo que as meninas têm no lugar da pila? Logo repreendido pela doce avozinha com um tabefe a preceito que lhe afundou a fuça ranhosa no travesseiro espevitando-lhe a vontade de continuar a ouvir a história. E continua a Avozinha: - “Mas nada mais era que dar um passo atrás para dar dois á frente, a pomba cagona voava em círculos qual gavião para arregimentar apoiantes, aparecia nas esquinas sem que a vissem e dizia: - Já viste, aquela pomba pindérica a dizer que as tuas penas não eram brilhantes… – e logo voava para outro lado e deixava escorregar da patinha um recadinho enrolado na pata onde dizia a outra pomba que ouvira dizer que os arrulhos dela tinham uma pronuncia esquisita e eram monocórdicos sem alma nem paixão. Assim nesta senda a pomba convenceu as outras que eram todas muito belas e que quem era mau eram os pombos e pombas que assim falavam delas. Então as pombas arrulhavam juntas num canto do vasto pombal ao qual não paravam de acorrer mais e novas pombas acabadas de chegar que debandavam em bandos todas juntas lá do alto e defecavam os pútridos dejectos sobre o resto das suas irmãs e irmãos, conspurcando de novo todo o pombal desta vez com uma força inusitada de tantos esfíncteres juntos num jacto uníssono.” Neste ponto da história o puto ranhoso fez um respirar mais alto em jeito de quem ressona. A avó a pensar que o menino adormecera, desliga a luz do quarto e sai pé ante pé. O puto põe-se de costas com a cara virada para o tecto mãos cruzadas na nuca a meditar: - Porra, já estava cheio de merda, a ver se assim a velha se cala com a história das pombas cagonas que de quando em vez passam ao ataque. Olha se as pombas fossem vacas. Ou pior, olha se as vacas voassem…dassss. E cobriu a cara com o lençol.
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