
Lobo do mar
Data 15/02/2010 00:32:15 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Na tarde que se finda, vem lembranças do navio, do mar, do porto, do capitão que não partiu, ordenou ou existiu.
Na onda verdejante, Corrente de vagos pensamentos embriaga E desperta o pescador, tudo é fantasia, E isto é a vida, nas histórias do velho lobo
À beira do cais está o garoto a sonhar o dia em que será marujo, a correr das sombras de Netuno, e nas tempestades a guiar o timão...
Na boca da noite, tudo é mistério a minha visão fica obscura, quando deixo a lavoura, e miro o porto no dia que se vai, a luz solar se apaga
Triste caminho no adeus, epitáfio à riqueza da luz divina sob velas, meu pranto destilo em uma mesa da esquina, que me resta...
Penso na calma ceia com a brisa na varanda nas vestes consumidas e dignas da minha roça querida a mil léguas...
Retorno ao tempo da ceia sem pão da sopa quente, água de ribeirão que tomava mirando o horizonte na tarde que caía lentamente...
Que veio terei para banhar minh’alma neste deserto urbano de poeira e asfalto? Será preciso lançar-me ao rio de outrora? Ou atirar-me nesta baía poluída do Rio?
Divagando, a noite chegou, o belo farol já orienta os timoneiros e percebo que a nau da vida aportou e o velho lobo do mar acena para os marinheiros... De primeira viagem (como eu).
AjAraújo, o poeta humanista, poema escrito em novembro de 1975.
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