
QUASE UMA ODE
Data 12/02/2010 07:54:07 | Tópico: Poemas
| para ana cristina cesar, hilda hilst e orides fontela, pela alta poesia que fizeram - nem sempre entendida. a torquato neto também poeta brilhante e que foi tão cedo.
tenho sonhos tristes e me pego sempre no purgatório (alma penada saio fugindo de mim mesmo) se me esbarro na rua peço licença tenho um cigarro entre os dedos e um olhar de culpa o hálito de álcool quase doentio devo morrer de cirrose hepática amanhã - diz o médico que é meu amigo meus óculos estão fartos dos meus olhos e na janela nenhum luar mais enxergo no entanto resisto e escrevo só sei fazer isto: escrever como se escrevendo às três da madrugada eu pudesse mudar o mundo tenho um litro de uísque do lado dois maços de cigarro que me vão matar mais depressa e um milhão de adultérios que me levarão à casa da amada que não existe se pelo menos eu conseguisse cortar os pulsos mas me falta coragem nesta hora quando a rua é deserta queria sentir pena de mim mas aos 53 anos isto é quase impossível dou um trago na bebida acendo um cigarro e tento escrever um poema quem sabe o cansaço me vença e eu durma mais tarde
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júlio
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