
O Último Beijo!
Data 11/02/2010 20:19:09 | Tópico: Poemas
| Líquido denso de cristais perolados Precipita sobre aquela gélida lápide Onde dorme cabelos encaracolados Cor-de-fogo... Adormecida olhos-jade...
Sopra o vento veneno que mortifica... Sobe a poeira e se vivifica os ciprestes... Jaz, fria... Longe do mundo terrestre... Muito próximo do enigma da vida...
Repousa sob a caiada cruz, uma ave... Pia notas tristes, tétricas e sinistras... Com abundantes lágrimas e força das mãos Cavo um turvo túnel pela úmida noite...
Tenho meu próprio desespero como açoite E como eminente inimigo, meu coração... Ferido estou pelo dente siso da ansiedade.
Pelos meus dedos? Terra preta e sangue rubro. Cavo, cavo, cavo... Com ensandecida velocidade... Até que, por fim... Toquei algo rígido... Duro... Era teu recanto de última e infeliz morada!
Ah, Jesus! Como minha alma padecia! Como eu chorava! Não era possível que ali, desfalecida, ela jazia!
Não! Eu nunca poderia deixar-te partir... Querida! Não hesito um minuto atômico sequer! Quebro toda colcha de madeira-verniz...
Vi-te morta! Fim do meu mundo infeliz! Morta! Morta! A mais linda mulher... Morta! Morte, sua mão infame a tocaste... Sua miserável, ela é minha! Só minha!
Pego-a em meus longos braços... Toco-a na face morta... Fico em afagos... Ah, como teceu errado a aranha da Vida! Beijo-a muito... Frios e roxos os lábios... Bebo com minha língua, meu pranto de sal.
Caio sobre aquele corpo... Sinto o gosto do metal... Esboço um pulcro sorriso... Sinto-me esvaindo... Vejo, apenas por um instante, teus olhinhos se abrindo... Cai, ensangüentado, sob a lápide, o meu punhal.
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