
Poema Para Uma Poetisa!
Data 09/02/2010 00:12:48 | Tópico: Poemas
| Noite fria e mal passada a de ontem... Hoje me despertei pela madrugada Vi chegar "Aurora dos dedos rosados" E Febo beijando a relva orvalhada...
Pardais num chilrear chato e triste... Vi três cisnes voando em vértice... Peito nu... Recebo raios rubros do sol Que chega a todos... A todos os lugares Num constante conúbio sem fim...
Uma Betelgeuse e uma Antares Ardem aqui... Dentro de mim... É um filho que pede para nascer. Sinto uma forte e dolorosa contração...
Queixo na mão... Papel e caneta... Caderno brochurão... Vai vim à luz um poema...
O canto de hoje é para ti... Encantadora. Lúdico universo com poucas constelações Onde nasci... As trevas fizeram temporada Furtando-me tudo, dos eflúvios, sensações... Palavras flutuando, se chocando, pululando...
Os sentimentos eram apenas estrelas anãs... Veio-me tu, um astro azul, me encantando Com palavras veludosas, volúpia das manhãs. Depois, mais palavras. Palavras lindas palavras Eruditas, inusuais, que se usam, que se sentem Como pelúcia macia que toca o tecido... A derme...
Palavras perfumosas, odorosas, coloridas, mágicas Palavras belas feras, cães que ladram, serpentes Que se enroscam e apertam até que a boca se abra Para que se possam pingar, gota a gota, o fatal veneno...
Quem se encontrava por detrás de tal magia? Lábios mutantes, multicolores, metálicos Olhos monocromáticos (seriam azuis ou seriam verdes?) Por onde respira a poesia e todo o mundo se recria, Coexistindo, coabitando, invadindo todo meu coração, Fazendo do mundo-seu, do mundo-meu, O mundo-meu-seu-nosso...
Vieste no bico de uma ave alada de enormes asas, De esbranquiçadas plumagens e penugens, Entrecortando-me, transpareceu diáfana, translúcida, Maga, fada, Deusa Encantadora dos Homens Nus De palavras, com palavras, com tudo, com nada... Uma doce beleza pura, ametista rara... Que abala Uma voz que não se ouve... Se sente... Não se cala... Borboleta das asas de luzes douradas emanadas, Devoradora de poemas, de homens e de canções, Mobilizaste esse meu coração cigano num porto seguro, Tornaste densa a lacuna que preenchia minha alma... O furo... Sopraste em mim o vento Da transcendência. Em ti faço acampamento... Fazendo-te reverências... Minha querida, minha amada, Em ti... Encontrei a luz... Achei, enfim, morada.
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