
CARTA DE UM AMOR
Data 03/02/2010 13:05:09 | Tópico: Mensagens
| Dormi contigo no lado oculto da lua e do amor que fizemos nasceram orvalhos com manhãs de sol lá dentro. Nem sei como o sol descendeu de nós, nós, ocultos no lado avesso da lua, órfãos de sol ou luar... Desconfio que o quarto minguante em que nos deitámos, era coberto por um tecto de telhas cadentes... Sei, porque, às vezes, dores me caíam de cima e me atingiam em cheio. E porque eu via estrelas, pelos buracos de luz apagada, que me piscavam tremidamente fulgores fiéis e me velavam o silêncio e o medo. Sei lá!... ...talvez daí o brilho das manhãs de orvalho-com-sol-lá-dentro que pari... parecenças do brilhar dessas estrelas que me geraram amor... O amor que nós (des)fizemos, mesmo no lado sombrio da lua, foi um amor abençoado. (Disseram-me que o amor nem sequer existe, na lua- nova. Mas o amor faz-se daquilo que temos: pois saibam que na escuridão qualquer luzinha se vê melhor!...) O amor que nos descende é já dia de sol-cheio. E à noite, há sempre uma estrela a quem rezo, e vejo, por entre as telhas partidas do meu quarto já a passar de minguante... Amo-te e tu sabes, mesmo que eu ainda o não saiba, por tantas vezes ter sido eclipse. Ou sei?... à laia de respostas a todos os comentários, que do fundo agradeço...
Dizer por dizer, não consigo. Se escrevo, no verbo mutilo a carne que sou a alma que dou a vida que chorei o sal que me curtiu o fel que me amargou. e SINTO as emoções que não destilo os beijos que não dei o que não vivenciei a verdade que não me dou o mar que não me sentiu e o amor que não sonhei. Dizer por dizer... ...não sei.
(Ditos Sentidos)
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