
INTOLERANTES
Data 03/02/2010 00:31:22 | Tópico: Poemas -> Sociais
| Rasgo o sangue Na esperança de me ver nos olhos da lua… Não sou mais que um quadro Exposto com o lixo da rua!
Mato de tolerâncias Os argumentos que me espezinham Que me maltratam Como se fosse um objecto Um dejecto Onde todos os defeitos se retratam.
Adianta procurar a compreensão Naqueles que são livres para escolher Quando sem ter optado por nada Sou vítima da minha orientação Apenas porque não escolhi nenhuma forma de amar? Adianta esperar um laivo de tolerância Daqueles que se comportam como toda a gente Apregoam a moral social como justificação Do ódio para com tudo o que é diferente?
Apregoam a liberdade como um direito Que lhes permite decidir O que pensam ser melhor Para os marginalizados da sociedade…! Com tais argumentos esquecem Que aqueles que são diferentes Para além de serem gente Também têm direito à mesma liberdade!
Aqui estou Sobre o pedestal do meu eu Cicatrizado de vós até à medula! Mordo os dedos que me acusam Neste convénio extremo Com a loucura!
Sou o filho dos vossos medos Das paredes caladas dos quartos Das insónias e dos pesadelos! Sou aquele que rompe segredos Quando de fingimentos tão fartos Beijam de amarguras O linho desalinhado dos meus cabelos! Sou aquele que incomoda Que não se cala Que não domam! Aquele que ri na vossa cara! Quando saídos da minha cama Apregoam a moral do que é um homem!
Que substância é essa que apenas existe No esporádico sexo feito à pressa Com a mulher que apenas pede sentimento? Se soubessem do vazio dessas mulheres Que na vossa mente foram possuídas…!? De tão mal amadas Desinteressam-se do sexo, do amor, Da vida!
Sois os heróis da frustração Justificada na ironia duns minutos de cama Onde o prazer próprio é o mais importante! A mulher que convosco dorme Não passa dum mero objecto, Vasilha aberta ao dispor Do vosso egoísmo intolerante!
Se vos esqueceis que ela também é gente Que sente desejo, que quer ter prazer, Como haveis de aceitar O que vos torna rivais de vós próprios! Heróis! Todos heróis, é o que sois…! Como podereis compreender O que é o prazer vivido a dois?!
O vosso pé não cabe no meu peito Nem o escárnio na minha inteligência! Sinto pena de vós…! Machos Do vazio que resta…! Não queriam nunca ser como eu Que amo, porque é bom amar E que por inaptidão social Me afasto de tudo o que não presta!
António Casado 2 Fevereiro 2010
|
|