
Luzerna
Data 28/01/2010 12:17:11 | Tópico: Poemas
| Ainda agora o sol entrou pela janela Olhei-o com ar de espanto, como quem pensa Foi engano, sol essa espreitadela Ou então trazes-me de oferenda Uma luzerna onde se revela
Que existe sempre a esperança mais além Que um dia o sol aparece airoso Que nem sempre a chuva se mantém Molhando o solo gretado e rugoso Por onde as tempestades a devêm
Ainda agora o sol entrou pela janela Esbateu-se no meu olhar pasmado Será sol que me trazes a aguarela Retratando o perfil do meu amado Sol traquina, porquê essa piscadela
Num raio quente e fogoso Que me aqueceu a alma semigasta Do esperar constante e curioso Ouve sol esta espera já basta Portanto deixa de ser caprichoso
Não abra eu a janela de par em par Logo quando cair a noitinha E quem sabe convide a entrar A lua, faça dela minha madrinha Lhe peça para uma estrela me ofertar
E nessa estrela faça despontar o perfil Do sonho que anda perdido ao relento Perdeu-se na noite num mês de Abril Meu Deus, faz tanto tempo Que o tempo parou, choveram águas mil
Que inundaram a alma imatura, e singela De menina traquina pensando ser mulher Lá estás tu sol, dizendo-me és bela Sol capricho, olha que eu fecho a janela Ficarás retido no meu adormecer
E nem sabes sol o que faço a seguir Junto-te à lua, enlaçado pela estrela Grito meu amor, vem olha o sol a fundir Um novo amanhecer onde se revela Que basta o crer para nos fazer sorrir
Júlia Soares
|
|