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Data 18/01/2010 23:54:47 | Tópico: Poemas
| Ouve, o vento canta lá fora A aragem trás o som do campo E eu, imagino que a alma não chora As gentes brincam e riem noite fora O Alentejo floriu de novo, espanto Sobressai do céu azul, inda agora
Ouve os sobreiros ondulam ao vento e, os pastos murmuram extasiados As estrelas brilham no firmamento E eu, revejo-me criança, outro tempo Uma trança solta, olhos esbugalhados
Querendo alcançar o mundo O tempo é curto, muito curto
E o Alentejo empobrece O mundo revê-se em tempos perdidos As gentes caminham cansadas, entristece A alma de quem chora, fingindo que canta, padece Gritos mudos, em todos os olhares antigos
Como antiga é a ruga faminta No semblante do homem velho Ai Alentejo, quem quiser que sinta O teu sangue a correr, crença extinta Mas… o sol raiou, gritou liberdade, vermelho
Cor de papoila, floriu de novo Nas asas de uma gaivota que veio ao sul Trouxe um cravo vermelho, e o povo Engalanou-se e saiu à rua, homem novo O céu vestiu-se de azul
Assim as gentes cantaram e bailaram Mas hoje no frio do Inverno… a terra chora Alqueva, as águas brotaram As almas de novo olvidaram Mas… o sonho tarda a chegar, tarda a hora
E eu, recordo a criança, já cansada É longa a espera, Meu Deus, como tarda O sonho adormece enquanto aguarda Que o Alentejo floresça na Primavera
Antónia Ruivo
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