
Les Miserables (tributo a Victor Hugo)
Data 17/01/2010 12:20:43 | Tópico: Poemas -> Sociais
|  “ A miséria das classes baixas é sempre maior que o espírito de fraternidade das classes altas. A primeira igualdade, é a justiça. ” (Victor Hugo)
Caminham na noite São andarilhos, Maltrapilhos, Mendigos Catadores, sem teto...
Fazem o contraste com o alegre soçaite, Em mesas nas calçadas, De bares e restaurantes
Alguns vendem balas, Biscoito, amendoim torrado, bananada, rosa em botão e os seguranças em vão...
Tentam afastá-los para que não incomodem A freguesia dos com tudo, disputada pelos sem-nada
Neste rumos noturnos amargos de jornadas vazias são crianças, jovens, velhos amontoam-se nas calçadas
Às vezes conseguem participar Daquele festivo banquete Sobras dos suculentos pratos Se tornam a ceia da noite
Acabam virando quentinha Doada por algum cliente, Ou acabam virando-latas Para buscar os restos da festa...
O que é excesso, desperdício Para quem tem fome é um alívio Garantia de sobreviver mais um dia Rotina que se repete sem direito a azia...
Mundo cão, guardião do materialismo A luta pela sobrevivência cotidiana, Estimulada pela sociedade de consumo Desnuda a face dolorosa da miséria
Que a muitos passantes, são indiferentes Enquanto outros se sentem ameaçados Ao pararem seus carros nos semáforos ou caminharem diante das marquises
Como filmou Fritz Lang em "Metropolis", Victor Hugo imortalizou em "Les Miserables" Cândido Portinari pintou em "Retirantes" Sebastião Salgado documentou em suas fotos
Fazer uma leitura no contexto histórico Das desigualdades sociais de nosso mundo É tarefa não só para poetas, intelectuais Governantes, juízes ou religiosos...
Reduzir as iniquidades sociais Requer uma inversão de prioridades De governantes, das sociedades, sob pena De dramas, como os vividos pelos haitianos Seguimos deixando a margem, Milhares de pessoas na miséria, Desagregando famílias, lares Na violência da exclusão social...
Sequer tem onde morar com decência Enquanto espigões são financiados Eles são expulsos para a periferia, Pela especulação imobiliária Assim, seguimos insensíveis, Vidros fechados, medo nos semáforos Como se estivéssemos em safaris E moradores de ruas fossem animais soltos
O que é admirável e espantoso, É esta extraordinária capacidade De lutar na adversidade, fato notável E a seguir na cruel rotina, SOBREVIVER...
AjAraújo, o poeta humanista, escreve sobre as pessoas abandonadas nas ruas da cidade, homenageia a Victor Hugo e sua célebre obra: Les Miserables. Escrito em Setembro de 1992.
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