
AMANDO
Data 09/07/2007 14:27:32 | Tópico: Poemas
| AMANDO
Ontem as vinte e duas horas e quarenta minutos, Horário oficial de Brasília, Eu estava ardendo em febre, suando, E na tiragem dos meus uis, contados, Uns vinte e tantos mil, falei, quietei Aos teus ouvidos, E de febril, de puro amor, o meu remédio, Tomei por tantas horas, em tantos goles, Que me embriaguei. Caí sobre o teu corpo, E amando-te voluptuoso, transpirei, E a febre não passava, passavam as horas, Já pela madrugada, ainda eu te amava. E pela manhã, à hora da voz do Brasil, Eu te amava. Em meu delírio, uma poldra branca, De crinas alvas e esvoaçantes, Carregava-me sobre seu dorso. E eu galopei vinte e quatro horas, Sobre um leito de areia fina, E nas esquinas por onde andei, Espantava-me o medo, de cair Por tua cabeça, Quando te inclinavas a me beijar, Fazendo. Aproximadamente, Dez anos se passaram Sem que este despojo se passasse, Eu na tua crina seguro, E tu em meus flancos grudada. Amar faz a gente perder a noção do temo, Mas se tem ciência dos espaços E não se perde o tempo, se acha, Mesmo que estando dentro da gruta Mais escruras, como as que passamos, E vimos dentro animais atônicos, Encontrávamos-nos, Permitíamos-nos Como os ponteiros dos relógios, Ora encima, ora embaixo, Ora não se distingue o prazer do bom, Quão bom é o prazer das horas.
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