
«« Erva daninha ««
Data 15/01/2010 20:29:01 | Tópico: Poemas
| Sou erva daninha, descobri Afinal só o silêncio me quer Sou pedra que rola por aí Sou filha bastarda que atraí Tudo aquilo que avier
Sonhei, atrevi-me, quem diria Vi o sol abrir-me os braços Imaginei que era dia Que o amor resplandecia Que terminavam os declives cinzentos
Mas a noite teima em dizer És doida ninguém te quer
Tanto sonhas, acordada Acreditas, sem pensar És erva daninha ingrata Nasceste tal um pirata Em águas calmas surripiar
Porque te vês mulher altiva Imaginas que tens direito Ao amor divina dádiva Não vês que nasceste cativa Do frio que gela o peito
Do sangue que jorra morto Da mortalha que enegrece O poema absorto Tal qual um poste torto Que pouca solidez oferece
Descobri que tudo se afasta Tudo tende a ir embora É sol de pouca dura, um instante basta Quem me quer entusiasta Vira-me as costas, mas chora
Chora porque sou erva daninha Daquelas que ninguém quer Quando morrer morro sozinha Se alguém me chora não adivinha Que também choro e sou mulher.
Antónia Ruivo
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