
Em algum lugar de Cabul ao Haiti
Data 15/01/2010 11:15:45 | Tópico: Poemas -> Sociais
| Em algum lugar, por aí de Cabul ao Haiti
Rastros de tantos astros Marcos de tantos anônimos
Outrora nativos, Escravos, colonizados
Em algum lugar, por aí de Cabul ao Haiti
Meninos de pés descalços Jogos da vida, per-calsos
Tormentas, tornados Destruição, terremotos
Em algum lugar, por aí de Cabul ao Haiti
Rotas de conquistas, riquezas Sobras das festas, pobrezas
Restam conflitos étnicos Omissão, desamparos
Em algum lugar, por aí de Cabul ao Haiti
Velhos desamparados, olhares perdidos Espelhos embaçados, olhares indiferentes
Nos destroços, corpos esmagados Nos fundos, dólares especulativos
Em algum lugar, por aí de Cabul ao Haiti
Somente uma tragédia deste porte Pra ter atenção pra gente de Porto Príncipe
Os olhares do mundo pós-Colombo Se voltam pras terras abandonadas do novo mundo
Em algum lugar, por aí de Cabul ao Haiti
Caminha a humanidade Vizinha da insensibilidade
Se espanta a iniquidade Se se aflora a solidariedade
Em algum lugar, por aí de Cabul ao Haiti
Ai de quem chora pelas vítimas De mais uma revolta das forças naturais
Ou das bombas lançadas diarimente no Afeganistão De Porto Príncipe a Cabul, em uma fração...
de segundos, o que restam? são corpos estraçalhados em meio aos escombros... AjAraújo, o poeta humanista, homenagem às vítimas do abandono e da tragédia, de Cabul a Porto Príncipe no Haiti, seja na crueldade da guerra urbana cotidiana seja pela ação das forças da natureza. Escrito em 14 de janeiro de 2010.
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