
Corações despedaçados
Data 11/01/2010 00:51:53 | Tópico: Poemas -> Sociais
| Abra o peito Rasga o coração Cordoalhas, válvulas
Em retalhos de tecido No jornal apreendido Na repressão...
Abra a estrada Rasga a floresta Na Transamazônica faraônica...
Coração e floresta Vermelho sangue, verde seiva Se derrama no terror consentido...
Escancara o peito e a utopia(Araguaia) Em versos trêmulos, torturados Ante a omissão sob o repressão...
Na rede, Macunaíma Como o andar tupiniquim Poemas lentos, cortados pela censura...
Nas vitrines da luxúria Dormem à noite, os filhos da miséria Onde o turista fotografa, seu souvenir...
Come giletes, engole espadas Nos segundos preciosos do semáforo aberto Em busca de algum trocado
Todavia, da original (e louca) tentativa Raias de sangue jorram da garganta E vergonha na grande platéia motorizada
Correm dos pobres, feito pragas urbanas Nas praças de agonia, no teatro de rua Onde o espetáculo maior é o encontro da miséria com um vírus importado.
AjAraújo, o poeta humanista, escrito em 1978.
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