
Do amanhã
Data 28/12/2009 10:17:22 | Tópico: Poemas
| Que desinteresse ridículo daquilo que é branco e solto.
Perdi as estrelas que viviam nos meus olhos, deixei-as por aí algures na imensidão deste abismo que atropela o dia de amanhã.
Talvez a mão tenha o significado que tanto procuro, desde que nasci ditou-me o futuro.
Talvez o bloqueio da fonte áspera dos pensamentos forme bouquets de palavras de todas as cores enlaçados por aquilo a que chamamos de teoria.
O futuro entorna-se pelos próximos dias, entorna-se de secura e calor, de aquecimento e morte, mesmo escorrendo a chuva nos cabelos.
E tu não penses que te vais salvar, porque bebeste da mesma fonte que eu, és tão culpado como quem se esconde nas sombras da própria vida.
O deserto chega com fome. O deserto devora o verde esperança do tal amanhã.
Já não vale a pena chorar porque as lágrimas já não fazem mar. Do grito só o eco toma forma porque ao mastigarmos o prazer sufocámos a vida.
Agora está na hora de ajeitar a noite para que durma o amor pela vida que ainda persiste.
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