
Adeus...
Data 05/08/2006 02:52:48 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Adeus...
As folhas etéreas já caem das árvores E o intrépido Sol Nasce com seu esplendor, Os pássaros já "cantam" um soneto do amor E minhas infindáveis palavras mais nada dizem. O frugal já suplanta à margem do prazer E a vazão da saudade dói demais, invade meu ser. Porque Deus? O que fiz pra ti? Sempre te "amei"...
O pastor celebra mais uma missa, alguém se foi E a chuva cai, apaga o lume de esperança O seu olhar não mais posso ver, aquele que encanta. E o funesto me procura, me acha, me aterroriza O seu tocar não mais posso sentir, aquele que imortaliza E a culpa é constante em meu peito, apenas um não dizer. Porque Satanás? O que fiz pra ti? Sempre te "amei"...
Deus, dê-me mais um momento, eu imploro Apenas mais uma palavra é o que peço Um único dizer é o que preciso Você me deve isso, sempre te amei,,, Para quê? Vira-me as costas agora? Bastardo inerte! Tira-me daqui, esse corpo imundo que me deste.
O amor não mais existe, você não vive mais... Deus não está em mim, foi ele quem te levou A esperença não mais existe, você não vive mais... A tristeza se aloujou em mim, o único sentimento que sobrou Um diminuto de amor não mais existe, você não vive mais... O sudário já escasseou, ele nunca existiu Você não vive mais... Não vive, só um sentimento vil.
Satanás, dê-me mais um momento, podes? Apenas mais um dizer... Dará? Uma palavra apenas, diga, dirás? Tudo bem, não me deves, nunca te amei... Não entende o amor, e nunca entenderá.
Eu não amo mais, não tenho a quem amar Eu não sorrio mais, não tenho para quem sorrir Eu não choro mais, não tenho mais lágrimas a chorar Eu não sangro mais, não tenho você, por quem sangrar? Eu não tenho fé, para quê acreditar?
Amplidão de dor é o que sinto Dê-me gládio, para findar essa ferida Na qual causou ao partir desta vida Amo-te, sempre amarei, não esqueça; O precito volta, antes que esvaeça Quero-lhe dizer algo que jamais disse
Eu quero viver sua vida Eu quero sentir o que sente Eu quero sangrar o que sangra Eu quero escrever o que pensa Eu quero você como jamais tive Eu quero crer como você crê Eu quero morrer para te encontrar Eu quero poetar para essa dor findar
Desculpe-me Deus, te ofendi? Não era minha intenção, te perdô-o. Ouça a ária do esquecer, como ouvi Desculpe-me satanás, te ofendi? Não era minha intenção, te absolvo Ame uma única vez, como amei Desculpem-me a todos que leram a elegia Esse poema foi escrito para um único dizer Adeus...
Fábio Wilson Rezende (Stacarca)
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