
Tenda de circo
Data 20/12/2009 01:40:54 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| Sobre a luz decepada Dos candeeiros obscuros, Dança-se o presente Inexistente, O agreste consumar Do futuro sem viver, Do vazio por inventar.
Pensei ver ao longe Uma tenda de circo Feita de precedentes, Um problema sem solução Para os resistentes.
Era apenas ilusão, Que a arte se perdeu Quando o palhaço Nos pariu, Rasgado de sangue e dor. Morreu para nos deixar Afogados em amor Sem abrigo, Sem saída.
Falta-nos expelir o amargo fel, Construir a tenda de circo enegrecida Pelo natural cansar de tanto ser.
Falta ferrugem para os pregos, falta sentir a oxidação junto às cavidades oculares onde um dia palpitaram meios de ver o mundo. Falta desconstruir o edifício que teima em não ruir, para que haja feiras e romarias, procissões pagãs ao convento do que se escondeu. Depois, no altar, evocaremos a luz que das trevas surgirá para nos salvar da insolação que nos ataca dia após dia.
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