
Bonação
Data 15/12/2009 00:47:06 | Tópico: Poemas
| O homem é essa confluência de suas musas Um hálito que é na verdade a fusão dos hálitos todos por ele amados. Eu, ao menos, sou isto Uma fogueira que queima com lenha de todo mundo Uma sopa fumegando ingredientes de Portland, Maine a Timbuktu Uma árvore salivando algodão doce Uma pedra inspirando canto de cotovias Um lenço secando a lágrima da Eva reencontrada A espada embainhada aguardando o derradeiro silêncio do Ódio.
Uma solicitude trânsfuga Nau sanguinolenta de minha cruel honestidade Minha lógica mais ardente que minha loucura Minhas cadeiras pregadas à impalpabilidade de meu Elemental.
E sigo reto Roto roxo Rouco frouxo Um galardão pulsante Vinte dedos agarrando pelos cabelos à Vida Treze juntas piramidicamente espiralando A ampulheta do eterno interno O vento soprando o pó que pouco a pouco desprendo ao espaço sideral...
Acabei de respirar profundamente Sinto a leveza O homem é uma confluência de musas Somos todos inspiração Divina e eternamente cósmica Já que só o Tudo existe, então o Nada nunca existiu Completos e infinitamente minusculos Milionésimos de segundos Uma única respiração Intensa e expansiva Ostentação Prazer pelo imenso Prazer de festejar o Todo Somos eternos Luxuria Gozo: vide dicionário. Sementes que plantamos Anseios que velamos O prazer do detrás-da-moita A suculência afoita. Santa ignorância Matre concordância Quasequase horripilância Tal e qual instância A devida irrelevância Da paramétrica importância - E um beijo de Luz.
Os chavões estacas com que ceifar vampiros Os dogmas escudos contra os desilibidos A rima uma ensandecência incandescente O ritmo um golpear de máquina mortífera O tesão um tesouro - Inominável O Amor um estouro: o Indeterminável.
Ah, Interminável em mim! Ah, minha bastarda sanguinolência! Raiva putrefa de minha insolência! Ai, meus confins... meus afins e atchims... Ai de mim Tão sorridente Tão ciente dos caninos molares cisos... Ai de mim, tão confidente Confiante Ser afronte Um monte Uma papagaiada Várias coisinhas se tornando um empilhamento...
Ai, ai, ai... Ah, da minha bastarda sanguinolência... Sedenta do fedor da entranha do verme covarde Sedenta do muco do pós-guerra Sedenta do suco Do sumo da fera Do ventre da bela... Ai de mim, meu Senhor...
20 de Janeiro de 2007, São Paulo. ORGASMAGIA http://orgasmagia.blogspot.com/
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