Pé ante pé Como que a medo Qual pássaro ferido Que arrisca O voo do retorno Ao conforto Do seu ninho Ela chega devagarinho Pela calada da noite Rasgando a madrugada fria De mais um dia Desenvencilhando-se Do opaco e silencioso manto da ausência Que lhe abafava o som Das palavras não ditas Sufocadas até ao limite P'la sofreguidão Da sua própria desinspiração... Frustração!...
Traz ainda nos pulsos Grossas algemas Que a prendem às palavras Que não consegue largar No peito rasgado Um aperto de emoção Que se lhe espelha no rosto Em cada expressão Que não consegue Nem quer Esconder...
Traz fome de prosas Traz sede de poesias Que de um dia para o outro Passaram a fazer parte de si mesma... Mas traz também um sorriso Um sorriso para agradecer O que não pode Nem deve Jamais e em tempo algum Deixar de fazer!
Por isso Estende os braços E caminha decidida Pronta para abraçar A alma de quem vive Muito para além das meras palavras Lançadas aos vendavais...
Estão por toda a parte Espalhadas pelo chão Aos pés de quem as queira apanhar De quem as queira sentir Nos versos E nos reversos Das muitas escritas Que enchem as páginas dos nossos livros Imaginários... Alguns foram mais longe Atreveram-se! Não se contentaram Com a insustentável virtualidade Da sua condição... Criaram asas e voaram Voaram para o mais longe que conseguiram Numa subida a pique Rumo ao topo da nossa inquietante Desassossegada E arrojada expectativa!...
Daí se lançaram no vácuo Planando ao sabor do acaso Desafiando até A aridez do universo literário Sob o pseudónimo De um ilustre desconhecido Nunca antes visto E muito menos Lido...
Outros Permanecem aqui Sob o mesmo tecto Içando a nossa bandeira Com o lema Todos diferentes Todos iguais Longe dos escaparates Mas tão perto Tão ao alcance de todos Dentro deste nosso pequeno mundo Nas prateleiras Da nossa biblioteca Tão virtual quanto real Chamada Luso Poemas!

|